Eu fechei os olhos jurando que não cometeria mais o erro. Eu fechei os olhos e chorei como criança que perde o brinquedo preferido, só que dessa vez era eu perdendo ele. E ele não era brinquedo, não era pra ser. Ele era o meu amor, era a razão de eu querer respirar, de eu querer viver. E foi tão difícil me forçar a perder ele, foi tão ruim, foi tão egoísta deixar ele ir embora daquele jeito. Foi triste. Mas eu tive que abaixar os olhos e dizer que ele precisava ir, eu tive que dizer as coisas que ele nunca quis ouvir com a minha voz, a minha voz. E eu não consegui pedir pra ele ficar, porque ele não poderia. Ele não poderia fingir que não foi erro, porque foi tragédia. E não faz sete dias que ele me deixou, mas aqui estou implorando paz, implorando amor, implorando ele, porque eu quero ser certa. Eu quero que algum dia ele consiga pensar em mim sem ter nojo, sem ter raiva, sem se corroer de dor ou algo do tipo. Eu quero que ele sorria pra mim, que ele me chame de pequena, que ele volte. Não precisa ser hoje, nem amanhã, nem esse mês. Pode ser ano que vem, pode ser vida que vem, eu só quero que ele volte.
E agora… Ah, quem vai embora sou eu. Dessa vez sou eu, porque eu não me aguento. Eu não suporto olhar no espelho e não me enxergar, eu não suporto ter vontade de vomitar toda vez que eu vejo os meus olhos. Eu não suporto sentir essa boca cortada sem o beijo dele, eu não suporto dormir com o frio que o silêncio dele me traz. Isso é tão sério, mas eu sou tão nova, eu sou tão boba, eu fui tão burra. Eu não dei nada quando ele deu tudo por mim, e agora… Não é que eu queira reclamar ou dizer que é injustiça, é só que eu queria ter a chance de voltar atrás e fazer diferente. Queria ter a chance de ter visto o sorriso dele e saber que eu merecia, queria não ter chorado todas as noites em que eu sabia que a mentira envolvia eu e ele. Eu queria mudar o tempo, eu queria estar com ele, eu queria que ele tivesse dito que me amava naquela hora. Eu queria ter amado mais ele do que a mim naquele momento.
Se eu não tivesse errado estaria na hora de dizer que eu pensava nele. Está na hora de dizer que eu penso nele, mas ele não me escuta. Ele não me vê mais, ele não quer mais. Então digo pra mim, digo pro mundo, pra Deus. Digo baixinho o quanto eu gosto dele, o quanto as risadas dele me fazem falta, o quanto as sextas feiras eram perfeitas com aquela mistura de amor e sexo que a gente tinha na dose mais forte possível. Penso no quanto eu queria não ter que dizer adeus pra única coisa que me fazia sorrir, no quanto eu queria que ainda existisse o nós. E ninguém sabe, ninguém sabe como eu queria ouvir ele chamando meu nome pra dizer que me amava, mas sabem o que ele disse? Que eu fazia mal. E eu não sei onde ele está agora pra poder dizer que eu quero ele bem, que eu vou embora se ele precisar. Eu não sei o que fazer pra dizer o quanto eu ainda amo ele, o quanto eu sempre amei ele e não soube perceber isso.
Dói não ser boa o suficiente pra quem eu amo, dói não conseguir abrir os olhos e sentir a certeza de que vai ser um dia bom, porque não vai. Nada vai ser bom enquanto ele não me perdoar, enquanto eu não tiver a certeza de que ele tá sorrindo sem ter que lembrar do mal que eu fiz. As marcas estão nos braços, nas coxas, na mente, mas nenhuma dói tanto quanto a que está dentro do meu peito. Nada dói tanto como lembrar que eu perdi quem eu queria ter pra sempre. Eu peguei a porcaria do celular e passei uma hora tentando escrever três palavras, escrevi e reescrevi mais de quinhentas vezes. Não mandei. Não quero me perguntar porque, mas eu sei a resposta. Eu sei que vai doer ainda mais não receber nada de volta, eu sei que vai doer ouvir que ele não me ama mais. E que a causa disso tudo fui eu. Eu destruí tudo que eu podia, eu acabei com a minha felicidade, com a confiança que ele tinha em mim. Eu tirei minha paz. Eu perdi a vontade.
Mas eu queria ser boa, sabe? Eu queria ouvir ele me pedindo em casamento, eu queria ouvir ele dizendo que eu era certa. Mas eu não era, eu deixei de ser tem tanto tempo… Eu queria fazer ele feliz como ele me fazia, só que hoje ele me fez mal, ele me deu vontade de chorar, porque eu senti saudade de tudo que a gente foi, de tudo que a gente seria. E doeu não porque eu estava triste, porque afinal eu sou triste, mas doeu porque ele não tava ali pra transformar minha tristeza em felicidade. Doeu porque o pote do remédio que curava a minha dor tinha sumido. E eu não podia procurar. Não podia procurar porque estava tarde e eu precisava dormir pra sempre, eu precisava da chance do recomeço, eu precisava nascer de novo. Eu precisava ter coragem de novo. Eu precisava ir embora, porque estava tão tarde… e tão escuro. Eu chorei tanto, eu choro tanto.
E sabe o que eu percebi hoje? Que eu amo ele pra caralho. E que dói pra caralho mais ainda gostar assim dele. Eu admiti pra mim mesma todos os meus erros hoje, e eu parei de pensar em mim. Eu vou pensar nele, porque é pra ele que eu quero viver, é exagerado, mas é pra ele. É pra ele que eu quero ser boa, é pra ele que eu quero ser certa. E eu não vou desistir de estar com ele ou de pedir pra ele me amar, mas eu vou embora. Eu vou embora agora, porque eu preciso ir. Eu preciso me tornar boa pra ele, e depois voltar e mostrar tudo que eu vou ser. Eu vou ser pra ele, e por ele. Porque é pra ele que eu quero viver. É pra ele que eu quero ser. Esse rombo no peito, machuca. Mas eu sei que ele vai preencher um dia. Eu sei que ele vale a pena, porque ele deu tudo por mim. E eu quero dar tudo por ele também. Agora.